O que é
Aneurisma é uma dilatação focal e permanente de um vaso sanguíneo, com aumento de pelo menos 50% em comparação com o diâmetro normal do vaso. A parede arterial se torna mais fina e frágil na região dilatada, o que aumenta o risco de ruptura.
A apresentação mais frequente é o aneurisma da aorta abdominal, mas aneurismas podem ocorrer em outras artérias — torácica, ilíaca, poplítea, esplênica, cerebral.
A maioria dos aneurismas é silenciosa. O diagnóstico precoce, muitas vezes incidental em exames de rotina, é o que permite o tratamento eletivo e seguro.
Tipos e localizações
- Aneurisma da aorta abdominal: o mais comum, geralmente abaixo das artérias renais
- Aneurisma da aorta torácica: pode envolver aorta ascendente, arco aórtico ou aorta descendente
- Aneurisma de artéria poplítea: atrás do joelho, frequentemente bilateral
- Aneurisma de ilíaca: isolado ou associado ao aórtico
- Aneurismas viscerais: esplênico, hepático, mesentérico, renal
Sintomas e sinais
A maioria dos aneurismas é assintomática e descoberta de forma incidental em exames realizados por outros motivos. Quando há sintomas, podem incluir:
- Dor abdominal ou lombar persistente
- Sensação de pulsação no abdome
- Massa abdominal pulsátil ao exame físico
- Em casos de ruptura: dor súbita e intensa, queda de pressão arterial — emergência cirúrgica
- Sintomas compressivos (rouquidão, dificuldade para engolir) em aneurismas torácicos grandes
Dor abdominal súbita e muito intensa em paciente com aneurisma conhecido é emergência médica — procure atendimento hospitalar imediatamente.
Fatores de risco
- Idade acima de 65 anos
- Sexo masculino (predomínio)
- Tabagismo (forte associação)
- Hipertensão arterial
- História familiar de aneurisma
- Aterosclerose
- Doenças do tecido conjuntivo (síndrome de Marfan, Ehlers-Danlos)
Diagnóstico
- Ultrassom abdominal: exame inicial, simples e barato; ideal para rastreamento
- Angiotomografia (angio-TC): exame padrão-ouro para planejamento cirúrgico — define dimensões, formato e relação com ramos arteriais
- Angiorressonância: alternativa em pacientes com restrição ao contraste iodado
O acompanhamento de aneurismas pequenos é feito com ultrassom periódico — o objetivo é monitorar o crescimento e indicar a cirurgia no momento certo.
Tratamento
1. Acompanhamento clínico
Aneurismas pequenos podem ser monitorados com exames periódicos e controle rigoroso da pressão arterial e do tabagismo, principal fator de progressão.
2. Tratamento endovascular (EVAR / TEVAR)
Procedimento minimamente invasivo: através de pequenos acessos nas artérias femorais, uma endoprótese é posicionada dentro da aorta para revestir a área dilatada e excluir o aneurisma do fluxo sanguíneo. Recuperação significativamente mais rápida que a cirurgia aberta.
3. Cirurgia aberta convencional
Indicada em casos selecionados (anatomia desfavorável para endoprótese, pacientes jovens com expectativa de vida longa). A área dilatada é substituída por uma prótese de tecido sintético costurada às artérias.
4. Emergência (aneurisma roto)
Cenário de altíssima gravidade. O tratamento, sempre que possível, hoje também é endovascular, com taxas de sucesso bem superiores às décadas passadas — desde que o paciente chegue ao hospital a tempo.
