O que é
A trombose venosa caracteriza-se pela presença de um trombo no interior de uma veia. Quando ocorre nas veias profundas — geralmente dos membros inferiores — denomina-se trombose venosa profunda (TVP), condição que requer diagnóstico e tratamento imediatos.
Existe também a tromboflebite superficial, que envolve veias mais próximas à pele e é, em geral, menos grave — embora também demande avaliação especializada.
A trombose venosa profunda pode evoluir para embolia pulmonar — complicação potencialmente fatal. O diagnóstico precoce é decisivo.
Sintomas e sinais
Os sintomas costumam aparecer em apenas uma das pernas e podem incluir:
- Dor na panturrilha ou na coxa, frequentemente piorada ao caminhar
- Edema (inchaço) unilateral, com aumento do diâmetro da perna
- Vermelhidão ou alteração da coloração da pele
- Aumento da temperatura local
- Endurecimento e sensibilidade ao toque ao longo do trajeto da veia
- Dilatação de veias superficiais visíveis
Em alguns casos a trombose pode ser assintomática e ser descoberta apenas após uma complicação — o que reforça a importância da prevenção em situações de risco.
Causas e fatores de risco
A trombose resulta da combinação de três fatores clássicos (tríade de Virchow): estase do fluxo sanguíneo, lesão da parede venosa e estado de hipercoagulabilidade. Entre os fatores de risco mais comuns:
- Imobilização prolongada (cirurgias, internações, viagens longas)
- Pós-operatório, especialmente cirurgias ortopédicas, oncológicas e abdominais
- Trombofilias hereditárias ou adquiridas
- Neoplasias e quimioterapia
- Gestação e puerpério
- Uso de anticoncepcionais orais e terapia hormonal
- Obesidade e tabagismo
- História pessoal ou familiar de TVP
- Idade avançada
Diagnóstico
- Avaliação clínica: exame físico cuidadoso, com escores específicos (como o de Wells)
- Ultrassom Doppler venoso: exame de escolha — identifica a presença, extensão e idade aproximada do trombo
- D-dímero: exame laboratorial útil em determinados cenários, com alto valor preditivo negativo
- Angiotomografia ou flebografia: em casos selecionados, com investigação mais ampla ou planejamento intervencionista
Inchaço unilateral súbito acompanhado de dor é um sinal de alerta importante — não espere para procurar atendimento especializado.
Tratamento
1. Anticoagulação
Pilar do tratamento. Inicialmente com heparina e, em seguida, com anticoagulantes orais — incluindo os anticoagulantes diretos (DOACs), que oferecem comodidade e segurança. A duração do tratamento depende da causa identificada e do perfil do paciente.
2. Terapia compressiva
Meias de compressão graduada auxiliam na redução do edema, no alívio dos sintomas e na prevenção da síndrome pós-trombótica.
3. Trombólise e trombectomia mecânica
Em casos selecionados — tromboses extensas, recentes e em pacientes jovens — pode-se considerar a remoção do trombo por cateter, com medicações fibrinolíticas ou dispositivos de aspiração mecânica.
4. Filtro de veia cava
Indicado em situações específicas, geralmente quando há contraindicação à anticoagulação ou ocorrência de embolia pulmonar apesar do tratamento adequado.
Prevenção
- Mobilização precoce após cirurgias e durante internações
- Profilaxia medicamentosa em pacientes hospitalizados de risco
- Movimentação periódica das pernas em viagens longas
- Hidratação adequada e uso de meias de compressão quando indicadas
- Avaliação especializada quando há histórico pessoal ou familiar de trombose
Complicações
- Embolia pulmonar: migração do trombo para os pulmões — quadro potencialmente grave
- Síndrome pós-trombótica: dor crônica, edema persistente, alterações cutâneas e, em casos avançados, úlceras venosas
- Trombose recorrente: exige investigação de causas associadas e, por vezes, anticoagulação prolongada
